Notícia
Histórias de moradores mostram como obra histórica na região fortaleceu o acesso a direitos e impulsionou mudanças na comunidade
Ter acesso regular à água tratada representa uma mudança importante, mas, para muitos moradores da Maré, na Zona Norte do Rio, os impactos vão muito além da chegada da água às torneiras. A regularização do abastecimento significa mais segurança para as famílias, melhorias na saúde pública e uma nova relação com um direito essencial: o acesso ao saneamento.
“Agora eu existo. Hoje eu tenho um comprovante de residência no meu nome. Se faltar água ou qualquer coisa parecida, eu posso ligar e exigir meus direitos”, resume o comerciante Gustavo Sales, mais conhecido como Mohamed, morador da Nova Holanda há mais de 40 anos.

Essa mudança faz parte de uma série de investimentos da Águas do Rio nas 16 comunidades da Maré. Até o fim de 2027, a concessionária do grupo Aegea investirá R$ 120 milhões para modernizar os sistemas de abastecimento de água e de esgotamento sanitário, beneficiando cerca de 200 mil moradores.
Benefício para 60 mil casas e comércios
No abastecimento, as intervenções incluem a implantação de mais de 2 quilômetros de novas redes de água, a regularização de aproximadamente 60 mil imóveis, a instalação de hidrômetros e a setorização do sistema, que permitirá isolar trechos específicos durante manutenções, reduzindo os impactos para a população. Toda a operação será monitorada pelo Centro de Operações Integradas (COI) da Águas do Rio, na Praça Mauá, garantindo mais eficiência e rapidez nas respostas.
Para Bruno Sales, gerente-executivo da Águas do Rio, histórias como a de Gustavo mostram que o saneamento produz impactos que vão além da infraestrutura.
“Quando ouvimos um morador dizer ‘agora eu existo’, entendemos que o nosso trabalho vai muito além de levar água tratada. A regularização do abastecimento representa acesso a direitos, cidadania e mais qualidade de vida. Nosso compromisso é seguir ampliando esse impacto positivo na vida das famílias da Maré.”
Enquanto as melhorias no abastecimento fortalecem o acesso a um serviço essencial, outra frente de obras avança sob as ruas da Maré. Na área de esgotamento sanitário, o projeto prevê a implantação de 4,5 quilômetros de tronco-coletor e 18 quilômetros de redes secundárias, estrutura que permitirá encaminhar aproximadamente 1,3 bilhão de litros de esgoto por mês para tratamento na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Alegria, no Caju, evitando que esse volume continue sendo lançado na Baía de Guanabara.
Os impactos que vão além da água
A melhoria também é percebida por outros comerciantes, que hoje contam com mais previsibilidade para organizar suas atividades. O fornecimento regular permite uma relação mais transparente com o consumo e oferece mais segurança para quem depende da água para manter o próprio negócio funcionando.
Morador da Maré há 55 anos, Marco Antônio dos Santos acompanhou de perto as mudanças do território ao longo das décadas. Para ele, os avanços refletem diretamente na qualidade de vida da comunidade.

“Antigamente algumas ruas tinham esgoto a céu aberto, as crianças andavam por ali, com risco de doença. Hoje estamos vendo as obras, está sendo feito um saneamento. Está muito bom mesmo.”
Além de reduzir riscos à saúde e melhorar as condições ambientais da região, as intervenções também vêm gerando oportunidades de trabalho para moradores da própria Maré. Marcos destaca outro benefício percebido no dia a dia:
“Hoje as pessoas têm mais consciência sobre o uso da água. A possibilidade de ter um serviço bom, com uma tarifa que cabe no bolso, faz diferença para muitas famílias.”