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Iniciativa do biólogo Mário Moscatelli procura educar frequentadores sobre a importância do cuidado com as margens da Lagoa

A paisagem da Lagoa Rodrigo de Freitas ganha um reforço educativo a partir desta terça-feira (30/04). Oito placas informativas estão sendo instaladas nos pontos em que a vegetação nativa das margens está sendo restaurada. A iniciativa, que conta com o apoio da Prefeitura do Rio por meio da Subprefeitura da Zona Sul, é do biólogo Mario Moscatelli, que atua há 35 anos recuperando o manguezal da Lagoa Rodrigo de Freitas com seu projeto “Manguezal da Lagoa”. A concessionária Águas do Rio também participa.

As placas informativas e educativas apresentam a identificação de algumas das principais espécies vegetais e animais nativas das margens da lagoa. A ideia é mobilizar os frequentadores para que tenham mais respeito com a fauna e flora nativas que são protegidas por lei.

Segundo o biólogo Mário Moscatelli, há uma grande confusão entre alguns frequentadores da Lagoa, que não conseguem distinguir a diferença entre mato e espécies vegetais importantes para a conservação da biodiversidade local.

“Com esta iniciativa, esperamos envolver mais os frequentadores sobre a importância do trabalho que vem sendo realizado nas margens da Lagoa, além de esclarecer que muitas vezes o que pode parecer mato alto, não é. Na realidade, são espécies vegetais nativas que funcionam como importantes nichos espaciais, reprodutivos e alimentares para as espécies animais nativas que habitam o local “, explica Moscatelli.

O biólogo ainda reforça que até poucas décadas atrás, a Lagoa era considerada um ecossistema irrecuperável, e reforça:

“Cada vez mais estamos presenciando o retorno de diversas espécies vegetais e animais.”

Hoje foram instaladas quatro placas: duas em frente à sede náutica do Vasco e duas na Fonte da Saudade. Ao longo da semana outras quatro placas também serão instaladas no Corte do Cantagalo; Vinicius de Moraes; Parque dos Patins e Foz do Rio dos Macacos. Os frequentadores e visitantes poderão identificar algumas das espécies animais e vegetais existentes na Lagoa Rodrigo de Freitas.

Quem passa pela Lagoa Rodrigo de Freitas já percebe as melhorias com o projeto de Naturalização, na altura do Parque do Cantagalo. Iniciativa da Subprefeitura da Zona Sul, recupera espaços degradados e modificados pelo homem, retomando as condições próximas às naturais. Além do conjunto de ações realizadas pela Águas do Rio no sistema de esgotamento sanitário da região. A concessionária reformou as 13 elevatórias localizadas no entorno do espelho d’água, que são responsáveis por bombear o esgoto para o emissário submarino de Ipanema. A empresa ainda atua na fiscalização de despejo irregular nos canais e rios que alimentam e conectam a lagoa com o mar.

A instalação das placas também vai funcionar como um importante equipamento ecoturístico, oferecendo informações completas e relevantes das espécies animais e vegetais para os visitantes. Até o fim do ano ainda está prevista a instalação de binóculos públicos para que os frequentadores possam admirar a paisagem.

Manguezal da Lagoa

O projeto MANGUEZAL DA LAGOA nasceu em outubro de 1989, durante um prolongado período de supressão desse importantíssimo e protegido integralmente ecossistema costeiro. Após quase 35 anos de projeto com completo sucesso em seus objetivos, sendo o principal o incremento da biodiversidade na Lagoa – ecossistema considerado irrecuperável há três décadas – , a falta de conhecimento de muito frequentadores ainda chama a atenção e gera ruídos/incidentes no que diz respeito à gestão e à convivência pacífica com sua comunidade vegetal e animal nativa. Daí a importância da instalação das placas informativas.

Naturalização da Lagoa

Pela primeira vez na história nesse século XXI, a Lagoa está recuperando parte do que foi aterrado ao longo dos anos. Nas últimas décadas, a Lagoa Rodrigo de Freitas passou por reduções de tamanho significativas, com o aterramento de seu espelho d’água. Com o processo de urbanização, a área que permaneceu quase intacta até o final do século XIX passou por sucessivos aterramentos e foi reduzida quase à metade de seu tamanho, perdendo também parte da biodiversidade. Somente no ano 2000, quando foi declarada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) patrimônio histórico devido à sua importância paisagística, a Lagoa passou a ter a sua geografia preservada.

A Naturalização é uma técnica utilizada para recuperar espaços degradados e modificados pelo homem, devolvendo a eles as condições próximas às naturais, em consonância com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável definidos pela ONU.

As lagoas costeiras são zonas importantes tanto para os seres vivos como para a economia. Mas, apesar dos danos provocados pelas atividades humanas, quando poder público, sociedade civil organizada, pescadores e universidades respondem com medidas de manutenção corretas, é possível melhorar suas condições. É o que está acontecendo na Zona Sul do Rio. O esforço conjunto que agrega diversas iniciativas, como o projeto de Naturalização, os cuidados da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) e ações da concessionária de saneamento Águas do Rio, está se refletindo na melhora da qualidade da água da Lagoa Rodrigo de Freitas.

A volta dos frangos d’água e outras espécies

A Naturalização, além de acabar com trechos alagados, está devolvendo à Lagoa a sua função de espaço reprodutor. Na altura do Parque do Cantagalo, 1.500 m² foram naturalizados e novas espécies de flora foram introduzidas, como mudas de grama de mangue, samambaia do brejo, algodoeiro de praia e mangue vermelho. Da fauna, diversas espécies têm aparecido na área. Além dos já conhecidos colhereiros, capivaras, guaiamuns e saracura, um frango d’água escolheu a área naturalizada para chocar três ovos e os filhotes da ave aquática já nasceram e circulam tranquilamente pelo local. Também há novos frequentadores, como o bate-bico (Phleocryptes melanops), que só havia sido visto na década de 80 em Guaratiba, e o mergulhão caçador (Podilymbus podiceps), que gosta de fazer ninho em áreas alagadas.

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